Crônica de um professor de magia
25 de abr.
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Harry Pedro entrou pelo portão da Escola Draconis de Magia e Artes Místicas de cabeça erguida, confiante de que contribuiria para formar novos bruxos, magos, astrólogos, quiromantes e cartomantes. Graduou-se em Artes Mágicas pela Universidade Federal Mística do Aracé. Não contente apenas com a graduação, especializou-se pela mesma universidade, realizando mestrado e doutorado. Fez concurso público para a rede estadual e conseguiu aprovação. Sentiu-se feliz por essa conquista; nunca havia dado aula na rede pública, mas sonhava em fazer a diferença e revolucionar a educação.
Entrou timidamente na sala dos professores. Encontrou dois docentes conversando sobre assuntos pedagógicos. A professora Rosas Místicas olhou para ele e perguntou:
— Quem é você? É o novo professor de Artes Místicas?
— Sim! Eu sou o novo professor.
— Seja bem-vindo. Eu sou Rosas, professora de Cálculo Mágico. Este aqui é o professor Julius, de História das Artes Ocultas. A nossa escola é maravilhosa, espero que você goste.
Harry balançou a cabeça timidamente, acenando de forma positiva. Com o passar do tempo, outros professores foram chegando e dando-lhe as boas-vindas. Logo, a sala estava cheia de docentes, e ele permaneceu quieto, apenas ouvindo as conversas. Alguns reclamavam de determinados alunos; outros falavam de uma turma desmotivada. Até que ele escutou uma música e, lentamente, alguns docentes partiram para a sala de aula.
Rosas dirigiu-se a Harry:
— Agora, no primeiro e no segundo tempos, você tem aula no 1º ano B. Depois, tem planejamento e, nas duas últimas aulas, ficará com o 3º ano B.
Ela mostrou a organização das salas, e Harry seguiu para seu primeiro contato com os alunos.
A manhã passou rapidamente, e Harry percebeu como seria difícil ensinar Artes Mágicas. Muitos alunos não queriam saber de magia, outros tinham nível muito baixo, e apenas alguns demonstravam potencial para se tornarem profissionais supremos da magia. Ele compreendeu que a revolução educacional com a qual sonhava seria mais difícil do que imaginara.
O Estado fornecia varinhas mágicas às escolas, juntamente com os grimórios mágicos. As varinhas eram de péssima qualidade e quase não canalizavam energia mágica. Os grimórios eram simples e superficiais e não proporcionavam o conhecimento necessário para um ensino médio de qualidade.
Ao final do primeiro dia, Harry Pedro estava exausto. Sentiu que pouco havia contribuído. Lembrou-se de que enfrentara uma banca de doutorado com Lord Voldemort; possuía conhecimento avançado em artes mágicas e, mesmo com todos os títulos, sentiu-se fracassado.
Ao término do bimestre, pouco se viu de evolução. Somente alguns alunos conseguiam lançar feitiços fundamentais. Apenas uma palavra era ouvida nas reuniões pedagógicas: recomposição da aprendizagem. Enquanto o currículo do terceiro ano cobrava métodos para que os alunos se esquivassem de magias de nível superior, como Avada Kedavra, eles mal conseguiam realizar uma conjuração de objetos falsos — magia básica prevista no currículo do ensino fundamental.
No final do ano, alguns alunos conseguiram realizar um grande feito mágico: ingressar na universidade. Se ao menos dominassem as artes oraculares, poderia afirmar-se que o êxito fora resultado do estudo, mas a sorte era a maior magia em que acreditavam.
Harry continuou na educação básica. Dez anos se passaram, e muitas mudanças ocorreram no currículo. Os materiais tornaram-se mais rasos: agora as varinhas eram de plástico e os grimórios haviam se transformado em livros de colorir. O sonho por uma escola de qualidade permanecia, mas, a cada ano, parecia mais distante. A força de vontade de Harry, junto à dos outros docentes, era a verdadeira magia que movia a educação. A luta não era contra magos e bruxos malignos, mas contra um sistema de precarização das escolas de magia.
Em um ato político realizado na Assembleia Legislativa do Aracé, os professores estavam de mãos dadas. Em seus peitos e testas, faixas de ordem eram exibidas, e muitos sustentavam a seguinte afirmação: existem muitas magias poderosas, porém nenhuma delas se compara ao poder transformador da educação.



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