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Metamorfose
Deitado em sua cama, sentindo-se só, a tristeza e a apatia dominavam o âmago de seu ser. Levantou-se, olhou para a escrivaninha e viu um papel com alguns rabiscos e uma caneta velha. Puxou uma cadeira, alinhou o papel, pegou a caneta e pensou em escrever. Parou por um instante e relembrou sua solidão. O ar frio do fim de tarde entrou pela janela, e a melancolia tomou conta do ambiente. Em sua boca, o gosto salgado das lágrimas que escorriam dos olhos anunciava uma última car
Kaio Bruno
há 2 dias2 min de leitura


Prefiro descansar
Os seis globos estão ligados, e os nove números começam a dançar. Seis lindas moças ficam posicionadas para coletar os números do sorteio. Um apresentador baixo, calvo e com voz renitente anuncia que, em breve, sairá o nome do ganhador. Muitos estão conectados, assistindo ao evento na esperança de serem contemplados pela sorte. O prêmio consistia em uma viagem de uma semana para a Suíça, com tudo pago, além de uma quantia adicional de 100.000 euros. O apresentador começa a a
Kaio Bruno
29 de mar.5 min de leitura


O papel e a bala
A boca ficou seca, o olhar embaçado, as pernas trêmulas, suor frio. Um tiro, e a sensação de morte invadiu o âmago da alma. Gilberto sentiu a elevação da temperatura na altura do peito esquerdo. Por um segundo, olhou para sua camisa e viu o orifício da bala. Sem palavras, foi ao chão; ninguém o socorreu. A multidão corria descontroladamente, e o corpo ficou jogado na calçada. Mais uma vítima da violência urbana: a bala perdida que viaja cegamente, destruindo sonhos, causando
Kaio Bruno
20 de mar.4 min de leitura


Crime culposo
Um corpo no chão. Fatalidade. Kleber foi puxado pela maldita gravidade. Pancada na cabeça, braço quebrado, fratura exposta, dor no peito, gemido de dor. As câmeras gravaram o exato momento do acidente. Aquele jovem, filho único, de classe média alta, de cabelos loiros, pele branca, olhos esticados, nariz afilado e dentes tortos, descia as escadas em alta velocidade quando tropeçou em um pequeno brinquedo de borracha em formato de osso. O objeto, de cor verde desbotada, apres
Kaio Bruno
15 de mar.3 min de leitura


Pausa para o café
Numa manhã de terça-feira, de forma tranquila, Theresa pega delicadamente sua xícara rosa, segurando-a com a mão direita enquanto, com a outra, pega a garrafa de café. Lentamente, aquele líquido preto é transferido da garrafa para a xícara. Ainda fumegando, Theresa dá o primeiro gole. Uma leve tensão é percebida em seus olhos; o líquido estava quente. A xícara é colocada sobre a mesa enquanto um sanduíche natural de frango é mordido. O segundo gole foi mais prazeroso: um sorr
Kaio Bruno
6 de mar.1 min de leitura


Te encontrar
Uma tristeza dominava a minha alma! Procurei-te incansavelmente. A dor transparecia em meu semblante cansado. A mente se negava a desistir e traçava novas estratégias para te encontrar. Cabisbaixo, sentei na poltrona do sofá, curvei-me e repousei os cotovelos sobre as coxas, levando as palmas das mãos à cabeça, em sinal de completo desespero. Uma gota escorreu no rosto. Senti o gosto salgado da perda. Com os olhos fechados, minha cadela, percebendo meu desalento, encosta seu
Kaio Bruno
3 de mar.1 min de leitura


Sexta à noite
Era uma noite de sexta-feira e eu andava sozinho, lembrando da vida: memórias boas, algumas perdas e mudanças que vieram com o amadurecimento. Em meio à análise, sobreveio uma leveza, uma harmonia interna daquelas que arrebatam e fazem esquecer as inquietações e ansiedades da vida moderna. Os carros passavam apressadamente na avenida; externamente, a mesma rotina; no interior, tranquilidade. Convidativo, o céu negro com poucas estrelas me chamava a mergulhar no infinito – eu
Kaio Bruno
22 de fev.1 min de leitura


Manhã chuvosa
Manhã chuvosa, abri a janela do quarto, sentei em uma cadeira perto da mesa de trabalho. Silenciosamente, observei cada gota que caía. Fui transportado! Hipnotizado, senti a natureza. Uma harmonia tocou a minha alma. De olhos fechados, minha pele foi tocada por uma suave brisa gélida; por um minuto, esqueci-me dos problemas da vida moderna. Uma harmonia adentrava meus ouvidos: o vento, a chuva, o trovão… Uma dissonância agradável. Respirei lentamente, eu estava vivo! Ainda d
Kaio Bruno
18 de fev.1 min de leitura


Desejo de escapar
Entrei no carro, era mais um fim de expediente — a dura e velha rotina da vida. Um misto de emoções: alívio e cansaço! Enquanto atravessava a selva de concreto, um turbilhão de pensamentos e divagações: o boleto não pago, a reforma da casa, a distração à toa e estratégias de como aproveitaria o tempo que me resta. O tempo, esse sim me faz pensar. Ainda no carro, olhando o sinal fechado, percebi o tempo que passou. Alguns minutos que não voltarão! Parece pouco, alguém poderia
Kaio Bruno
15 de fev.1 min de leitura


A estrangeira
Eu olhei diretamente em seus olhos e senti sua alma. Era quente, doce e tinha uma magia que aquecia meu coração. Minha boca ficou seca e minhas pupilas dilataram! Ela sorriu! Envergonhado, também sorri. O vento tocava seus lindos cabelos pretos e o Sol realçava sua pele branca de porcelana! Que inveja! Eu queria ser a natureza! Lentamente ela veio ao meu encontro e eu estava imóvel, congelado, paralisado por uma força maior à qual eu não podia resistir. Eu não sabia o que fa
Kaio Bruno
15 de fev.1 min de leitura


Tempo fechado
Novamente estou no trabalho. É sempre agradável rever os colegas e amigos. Mas, o preço é a prisão física, é o tempo de trabalho que, embora seja direcionado para ajudar pessoas, é uma jornada muito longa. Lá fora a chuva cai. Eu olho pela janela de uma sala fria e burocrática, tédio e melancolia! As informações são relevantes, mas a chuva está livre e eu preso. Inveja! Enquanto escrevo as pessoas escutam as vibrações, mas estão atentas as palavras? Eu dissocio, balanço a c
Kaio Bruno
14 de fev.1 min de leitura
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