Manhã chuvosa, abri a janela do quarto, sentei em uma cadeira perto da mesa de trabalho. Silenciosamente, observei cada gota que caía. Fui transportado! Hipnotizado, senti a natureza. Uma harmonia tocou a minha alma. De olhos fechados, minha pele foi tocada por uma suave brisa gélida; por um minuto, esqueci-me dos problemas da vida moderna. Uma harmonia adentrava meus ouvidos: o vento, a chuva, o trovão… Uma dissonância agradável. Respirei lentamente, eu estava vivo!
Ainda de olhos fechados, divaguei sendo uma gota. Uma pequena porção de água que foi condensada e precipitou. Agora, eu estava caindo de uma grande nuvem cinzenta. Senti medo no início. Eu era tão pequeno, insignificante. O vento soprou e fui arrastado, eu não controlava meu caminho. A única certeza é que eu estava caindo. Relaxei e aceitei! Uma sensação de liberdade foi crescendo; não precisava mais me preocupar em ter o controle de tudo.
A queda foi relativamente rápida, mas para mim foi a jornada de uma vida. Ao fim da trajetória, eu caí no mar. Comigo, havia outras milhares de gotas. Sozinhos, éramos insignificantes, mas unidos compúnhamos a vastidão do oceano. Abri os olhos lentamente, olhei para o relógio. A rotina me cobra ação, mas naquele dia eu preferi observar a chuva!
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