Era uma noite de sexta-feira e eu andava sozinho, lembrando da vida: memórias boas, algumas perdas e mudanças que vieram com o amadurecimento. Em meio à análise, sobreveio uma leveza, uma harmonia interna daquelas que arrebatam e fazem esquecer as inquietações e ansiedades da vida moderna. Os carros passavam apressadamente na avenida; externamente, a mesma rotina; no interior, tranquilidade.
Convidativo, o céu negro com poucas estrelas me chamava a mergulhar no infinito – eu aceitei. Voei em meio ao vazio, sozinho, rumo ao desconhecido. Eu senti Deus! Por um minuto fui egoísta: eu queria tudo para mim. Olhei minha insignificância. Vergonha! Lembrei-me dos amigos e dos familiares. Queria abraçá-los, mas estava muito distante, no final da Via Láctea. Parei, olhei para trás e voltei para aquele pálido ponto azul.
No final, eu senti paz. Tudo o que eu precisava estava aqui. Felicidade! É sexta à noite, amanhã é sábado e eu não vou trabalhar!
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